segunda-feira, 30 de setembro de 2013

a vida pesa mas não pondera

Vivemos imundos esperando que alguma coisa aconteça. Que alguém te ame, que alguém te ligue, que haja uma tempestade, que alguém morra de forma bizarra. Vivemos em um circo de imundices e todos somos espectadores. Esperando sedentos por mais uma desgraça que nos mobilize e nos una. Amar por amar é demodê. Precisamos ostentar motivos. Vivemos nos explicando, nos desculpando, nos redimindo. Porra, que merda é essa? Não quero ser vigiada, interrogada. Quero fazer por fazer. Me solte. Me liberte. Liberdade não é sinônimo de caos.

O ócio é o problema do século. Matamos, roubamos, amamos, odiamos, suicidamos por puro tédio. Nada acontece. Viramos bichos selvagens, regredindo as origens. Dentes afiados para rasgar o peito alheio. Não se beija, não se lambe. Mordemos, rasgamos, dilaceramos. Queremos ver o sangue fluindo. Viscoso e vermelho. Queremos ver o oco. Queremos ser loucos. Mas temos medo. Vivemos com medo. Nos trancamos em nossas casas e apartamentos. Só confiamos em objetos: cadeados, grades, muros. Somos concreto.

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