segunda-feira, 30 de setembro de 2013

a vida pesa mas não pondera

Vivemos imundos esperando que alguma coisa aconteça. Que alguém te ame, que alguém te ligue, que haja uma tempestade, que alguém morra de forma bizarra. Vivemos em um circo de imundices e todos somos espectadores. Esperando sedentos por mais uma desgraça que nos mobilize e nos una. Amar por amar é demodê. Precisamos ostentar motivos. Vivemos nos explicando, nos desculpando, nos redimindo. Porra, que merda é essa? Não quero ser vigiada, interrogada. Quero fazer por fazer. Me solte. Me liberte. Liberdade não é sinônimo de caos.

O ócio é o problema do século. Matamos, roubamos, amamos, odiamos, suicidamos por puro tédio. Nada acontece. Viramos bichos selvagens, regredindo as origens. Dentes afiados para rasgar o peito alheio. Não se beija, não se lambe. Mordemos, rasgamos, dilaceramos. Queremos ver o sangue fluindo. Viscoso e vermelho. Queremos ver o oco. Queremos ser loucos. Mas temos medo. Vivemos com medo. Nos trancamos em nossas casas e apartamentos. Só confiamos em objetos: cadeados, grades, muros. Somos concreto.

domingo, 5 de maio de 2013

o bêjo


O beijo é o barulho do silêncio que ressoa quando duas bocas se calam. E as línguas se descobrem, lambendo da boca dada palavras inexpressíveis, perdidas no céu, no véu e, por fim, no fel. Dói receber um escarro da boca que se beija, mas a dor de morrer sem escarrar na boca oca de quem roubou as suas palavras sem dar nada em troca é insuperável. O beijo cala a boca e deixa solta a lábia da alma. Esta, porém, de tão enaltecida, coitada, vaga por um mundo de sentimentos explosivos, onde tudo é cor e tudo se mistura e tudo são todos e um só.O beijo é o LSD da alma.  O sexo é o dialogo entre duas almas. Mania que poeta tem de relacionar tudo a escrita ou ao ato de escrever.

Estou cansada desses adultos de 16 anos. Beije o mundo. Seja o LSD lícito para os outros. Vá ao céu. Caia do céu, seja um anjo. Seja terno e vestido. 

sábado, 25 de agosto de 2012

these are hard times for dreamers

vá-te embora, agosto, enquanto ainda há tempo de ser salvo o que tu estregaste. vá e que volte doce o ano que vem.


dois meses e muitas noites em claro, aos prantos, gemendo e suspirando nesse vale de lágrimas. ninguém te ouve, as palavras ecoam pelas paredes da minha mante. batem e voltam. rotas desalinhadas. a dor começa.

escorre pelos olhos, pelo nariz, pela alma. todos os orifícios inundados. o alarme ressoa. é hora de cair no profundo sono. sem sonhos, sem cores, sem sons. sem nada. apenas a escuridão. amanhã é outro dia, eu sei.

despertam os nervos, ariscos. pentelham-me a alma, enquanto penteio-me o cabelo. sou sujeito e paciente.

inicia-se a repetição diária. pia, vazo, roupa, vazo, sapato, cozinha. o que a noite guardou para mim? notícias mundanas. nada está escrito da forma que queríamos. a vida é injusta, caros. principalmente às 05:39 da manhã. como-me. escovo-me. sou paciente de mim mesma. paciente da rotina.

a um passo da porta, vem mamãe. apressada, meio tonta ainda pelo sono:
"filha, não esquece o sorriso, que o mundo lá fora tá frio"

sexta-feira, 25 de maio de 2012

o amor é mesmo estranho


Oi, meu amor(?). Sabe o que eu acho esquisito hoje em dia? As pessoas (me incluindo no caso) se preocupam mais em entender o amor do que senti-lo.
Como escrever uma carta de amor? Devo começar com: “meu amor”, “queridíssimo Ivan”, ou “meu bolo meigo coisa mais gorda e linda do universo”? Ainda bem que cê já ta acostumado comigo assim: toda indecisa e manhosa, né mô?
Estive pensando e conclui que cê é um canalha dos grandes. Sabe por quê? Acho muito do feio me tirar as palavras como você faz, ó. Acha que tens direito de me deixar assim: muda e com cara de boba? Eu fico feito tola durante horas e horas pensando em como dizer, com quais palavras, onde colocar as vírgulas, os pontos, as exclamações. Mas isso tudo é só pra que cê entenda tudo direitinho, com todas as letras, os significados e o valor que o meu “eu te amo” tem.  Aí ó, e no final acabo escrevendo apenas sobre como escrevi. Prossigamos, porque você já me aguentou 11 meses, mais um texto desconexo e viajado é moleza.
Meu denginho,
Estamos prestes a comemorarmos um ano juntos. Um ano de amizade. Doze meses de cumplicidade. Trezentos e sessenta e cinco dias de amor. Sabe o que é isso? Nem 0,03% (3 escolhido por motivos óbvios de amor e destino) do que ainda temos pela frente.
E ó, temos que deixar cada pedacinho de lembrança bem arquivado, porque não quero perder nada do que fez parte da melhor época da minha vida. Sei lá eu se deus existe, sei lá eu se eu existo. Mas se tem uma coisa que eu passei a acreditar depois que eu te conheci foi em anjos. Um anjinho em especial na verdade. Até cabelinho encaracolado feito de anjo cê tem. 
Eu não sei se você ainda não percebeu, mas Ivan eu te admiro muito! De verdade.  Você é exatamente o retrato do que o Criolo exalta nesse trecho:


“Os saraus tiveram que invadir os botecos
Pois biblioteca não era lugar de poesia
Biblioteca tinha que ter silêncio,
E uma gente que se acha assim muito sabida”

Eu te acho muito melhor do que qualquer pessoa metida a intelectual. Porque sei lá Ivan, você é o retrato mais fiel do ser humano de verdade que eu já conheci. A sua simplicidade, a sua honestidade, o seu amor mansinho e inocente, valem mais do que qualquer pessoa que tenha conseguido ler O Capital em seu cunho original sem sentir uma pontadazinha sequer de tédio. É como se você fosse a poesia do mundo. Aquela coisa simples, sem grandes rodeios, sem complicações, mas que tocam a gente. Aquilo que dá um tapa na nossa cara, e nos faz enxergar que a vida é muito mais do que a lista de livros que você leu, o número de filmes que você já viu, as bandas desconhecidas que você conhece, a quantidade de dinheiro que você tem no banco, o bairro em que você mora, a família da qual você vem, a marca que você usa, as drogas que você se vicia, as pessoas que você odeia. A vida é isso aí ó: um sopro. Bem poético, por favor. Ser humano é ter capacidade de perceber isso. E passar adiante, mesmo que seja visto como idiota. Cê é a poesia da minha vida. E tem coisa mais linda que ser a poesia de alguém? Tem coisa mais linda que ser o cais de alguém? Tem coisa mais linda que ser o tipo de pessoa na qual alguém se espelha? Oh se tem: coisa mais linda que isso tudo, é ser amada por alguém como você Ivan.

Sinceramente, eu não sei o que será do nosso futuro distante. Não sei se nossos projetos se concretizarão. Não sei se nossos planos não passarão de simples e inocentes devaneios adolescentes. Eu só sei, meu amor, que você me marcou. E isso não tem como ser mudado.

Jamais cansarei de ser grata a ti. Cê me pegou numa fase muito complicada da minha vida e me trouxe de volta a luz. Tudo que tiver ao meu alcance, eu farei por você. Porque eu, do meu jeito bobinho, desastrado, desengonçado, envergonhado, tosco; eu, ah, eu te amo. Muito. E a estrela que eu apelidei com teu nome continua por aí, na imensidão do céu. Até que a sua morte nos separe.



E sobre o que te falei a respeito de marcar, fica aí uma poesia pra adoçar:

Tatuagem

Chico Buarque


Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...

E também pra me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...

Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...

E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...

Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...

Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...

Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes..

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Já escrevi milhões de versos incompletos. Desenhei teus olhos em todo canto do papel. Por fim decidi rabiscar, destroçar e mutilar tudo, porque todas as tentativas de descrever meu sentimento são falhas. E como eu já te disse moço, isso não é problema não. As palavras podem não encaixar, mas você tá encaixadinho aqui ó, no mais profundo do meu coração.
E se eu ficar bobinha demais, me ama. Se eu ficar chorona demais, me ama. Se eu ficar distante demais, me ama. Se eu viajo pelas fossas da vida é porque eu preciso aprender, e se eu volto sempre pro teu leito é porque eu te amo.
Faz tudo do seu jeitinho. Me conta uma história sobre você. E depois sorri. Sorri feito criança quando ganha brinquedo novo. Porque é isso que me deixa mais perdidamente apaixonada por você, menino. Eu não te amo porque cê é  lindo, tem os cachinhos mais encantadores do mundo inteiro, é um musicista mais do que completo e é inteligente, não. Isso é só detalhe e sorte minha. Eu te amo pela cor que seus olhos adquirem quando postos contra o sol. Te amo pelo jeito desajeitado e completamente fofo que você vive brigando com seus cachinhos. Te amo pela sensação de paz que me dá quando ouço alguma música que me lembre você. Te amo pela sua voz mansinha que acaricia meus ouvidos. Se pudesse dormiria todo dia com você me contando algum segredo, bem baixinho ao pé da orelha. Te amo porque não existe som melhor do que o do teu riso. Te amo porque você me fez acreditar de novo. Em tudo. Me fez acreditar que o sorriso é remédio pra tudo. Que não existe nada que una mais duas pessoas do que a lua. Que a gente sempre pode tentar de novo. E de novo. E se não der certo, a gente inventa. Porque o importante não são só os acertos, o importante é saber viver com os erros e também amá-los. O importante é ter um ao outro sempre, em qualquer circunstância.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Era nosso dia, e você não veio. Era nossa hora, e você se atrasou. Eram nossas promessas, e você as quebrou. Era por inteiro sua, mas você me dissecou. Era a nossa Lua, e você a apagou. Era o nosso amor, e... agora, o que é?
Eram as minhas dúvidas, e você sorriu. Eram as minhas lágrimas, e você as secou. Era o meu ódio, e você o cessou.
Talvez você seja mais eu do que nós. Meu "eu-gocêntrico" preferido.
Você é quieto, manso, despreocupado demais para uma louca metida a revolucionária feito eu.